terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Aproximação Simbólica à especificidade da Filosofia

A AVE DE ATENA

A ave de Atena é tida como o mais antigo símbolo da filosofia.
Atena, deusa da sabedoria e da fecundidade, aparecia associada, na mitologia grega, à coruja, cuja nota distintiva é a de se levantar ao anoitecer e andar vigilante e activa pela calada da noite.
Auxiliada apenas pela luz da lua, dotada de uma excepcional acuidade visual, vê o que o comum dos outros animais só consegue alcançar com a luz do sol. É essa invulgar capacidade de ver e de orientar no mundo das trevas que faz dela um símbolo da filosofia e do conhecimento racional: a coruja, tal como a filosofia, simboliza a reflexão que domina as trevas ou a capacidade de obter conhecimentos para lá das sombras.


O PENSADOR DE RODIN


Um outro símbolo da atitude filosófica é a estátua do escultor francês Rodin, denominada Pensador. Nu e solitário, de olhos fechados, sentado com o queixo apoiado no punho direito e o braço esquerdo descaído sobre o colo, o pensador é tomado como símbolo da atitude reflexiva que particulariza a filosofia. Trata-se de um símbolo rico mas controverso.
O que a sua atitude de homem pensativo tem de positivo é a capacidade de se recolher sobre si mesmo para submeter ao seu próprio juízo crítico a realidade que o envolve. O que tem de negativo e contrário ao espírito da filosofia é precisamente a dimensão solitária ou solipsista dos seus pensamentos a que ninguém pode ter acesso, incomunicáveis, portanto, e, por isso, inúteis para a comunidade.

A ESCOLA DE ATENAS


Um terceiro símbolo da filosofia é esse quadro magnífico do pintor italiano Rafael, cujas figuras centrais são Platão e Aristóteles.
Platão, apontando para o alto, recorda, como a filosofia, que a natureza humana não se esgota na realidade terrena em que assentamos os pés. Recorda, tal como a filosofia, que é próprio do ser humano elevar-se acima das terrestres preocupações e contemplar os valores espirituais, morais, estéticos, políticos, etc..
Aristóteles, por seu lado, estendendo o braço com a palma da mão voltada para baixo, indica que o ser humano é daqui, pondo em destaque a dimensão corpórea e física da natureza humana.
O quadro pode também ser tomado como símbolo do diálogo que se trava na história da filosofia entre posições e teses frequentemente opostas a exigirem ponderação dialógica.

Adaptado de: Vicente, joaquim Neves, Razão e Diálogo-Introdução à Filosofia, Porto Editora, 1998, p.65.


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